O exercício da advocacia sempre esteve diretamente relacionado às transformações sociais, políticas e tecnológicas do seu tempo. Contudo, nas últimas décadas, a profissão jurídica vem passando por uma das maiores revoluções da história moderna.
A economia globalizada, a digitalização dos serviços em diversos seguimentos, o avanço
superveloz da inteligência artificial (IA), o aumento expressivo do número de advogados no
Brasil, além da precária entrega de profissionais qualificados no mercado têm imposto novos
desafios à sobrevivência e à relevância do profissional do Direito.
Diante desse cenário, surge a indagação: há espaço para o advogado continuar atuando como antes, ou a reinvenção tornou-se uma necessidade inadiável?
A resposta passa por compreender a crise estrutural da advocacia tradicional e o surgimento de um novo paradigma baseado no imediatismo, eficiência, preparação estratégica em subsetores (vendas, marketing, gestão e, agora, inteligencia artificial), além, obviamente, de resolução do problema do cliente.
O inchaço do mercado jurídico brasileiro
É indiscutível que o Brasil é um dos países que tem um elevadíssimo número de advogados em todo mundo. Aliás, segundo o próprio Conselho Federal OAB, em 2024 já contavamos com mais de 1,4 milhão de profissionais ativos1, distribuídos de forma desigual, com forte concentração nas capitais e grandes centros urbanos. Nesse particular,
afirma-se que no Brasil há um advogado para cada 153 habitantes ao passo que nos Estados Unidos por exemplo, existe um advogado para cada 253 habitantes, ou seja, estamos falando
de um número muito alto de profissionais.
Vale lembrar que esse número aumenta de forma muito rápida, tanto que em 2022 estimava-se que existia um advogado para cada 164 habitantes.
Segundo o Conselho Federal da OAB, até junho de 2024 havia pelo menos 1.900 cursos de direito ofertados em todo país3, o que por sua vez, gera um crescimento exponencial de bachareis em direito, provacando, assim, uma hiperoferta de profissionais, o que impacta diretamente os honorários e a qualidade média dos serviços prestados.
Paralelo a essa realidade, cresce o número de demandas judiciais em todo país, em seus diferentes níveis de seguimentos, trazendo junto um aumento da concorrência, baixa qualidade de servico entregue à sociedade, fazendo com que muitos advogados enfrentem precarização das condições de trabalho, atuação generalista sem diferenciação de mercado e baixa percepção de valor pelos clientes, os quais passaram a comparar honorários como se fossem produtos de prateleira.
A nova economia e a Advocacia 4.0
A advocacia moderna está inserida em um contexto de economia digital e transformação tecnológica acelerada.
O fenômeno conhecido como Advocacia 4.0 ou a Nova Advocacia tem sido um dos temas mais discutidos no meio jurídico, que na verdade nada mais é que a incorporação de ferramentas tecnológicas para otimizar o tempo, reduzir custos e oferecer uma experiência mais ágil e transparente ao cliente.
Hoje, softwares de gestão de processos, automação de petições, análise preditiva de decisões e até inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, Gemini, Microsoft Copilot dentre outros, já são realidade em muitos escritórios.
Essas tecnologias permitem que o advogado dedique menos tempo a tarefas repetitivas e mais à atividade intelectual e estratégica, que é o verdadeiro diferencial humano no Direito.
Contudo, a adoção dessas ferramentas exige mudança de mentalidade.
O advogado que se limita ao papel de mero executor técnico corre o risco de ser substituído
por sistemas automatizados.
Já aquele que compreende o contexto digital e se posiciona como consultor jurídico de negócios, estrategista e comunicador, amplia seu espaço de atuação e
consolida autoridade no mercado.
Lembrando que a mudança de mentalidade não se resume passar a utilizar o Mundo Digital a seu favor, pois em nada vai adiantar domina-lo e não abrir a mente para outras questões, tais como: boa oratória e comunicação, técnicas de vendas, de marketing, de gestão de negócio e finanças, além de uma apresentação pessoal moderna e impecável.
Sobre esse último, pela tamanha importância que tem, merece até um Artigo exclusivo para tratar sobre esse tema, mas de qualquer forma, apenas para não perder a
oportunidade, vale registrar que a apresentacao pessoal é um conjunto de elementos que
comunicam quem você é antes mesmo de falar — incluindo aparência, postura, expressões
faciais, tom de voz e até comportamento nas redes sociais.
Segundo o Canadense Erving Goffman, em uma de suas obras, esses elementos fazem parte do conceito de “autopresentação” (self-presentation), a qual a define
como o indivíduo “atua” em público para controlar a impressão que os outros formam
dele.
Além do mais, já é classico que os primeiros segundos do primeiro contato visual já são
suficientes para registrar as primeiras impressões (certas ou erradas) de um indivíduo, as quais tendem a permanecer estáveis mesmo após contato prolongado, afinal quem nunca ouviu alguém dizer a seguinte frase: “ quando lhe conheci não ia muito com sua cara, mas agora
vejo que você é legal e não tem nada a ver com o que eu pensava”.