Sobrecarga de Trabalho
Essa sobrecarga de trabalho se resume ao policial cumprir sua carga horária normal, tecnicamente chamado serviço ordinário, a realização de serviços extras remunerados (cada estado tem uma nomenclatura diferente), que são aqueles em que o policial pode optar por permanecer de folga ou realizar determinado trabalho naquele período que seria para ele descansar, bem como a realização dos “bicos”.
Nesse último caso, como não é regulamentado, inexiste qualquer previsão de descanso, o que faz com que, em alguns casos, o policial saia de serviço pela manhã, por exemplo, às 7h, de uma escala em que teve que trabalhar a noite toda, e já inicia sua nova jornada de 6, 8 e até 10 horas de trabalho, aumentando, assim, a fadiga, privação de sono e irritabilidade. É indiscutível que uma rotina dessa seja considerada sobrecarga e que isso traz malefícios à saúde do ser humano. Mas, por outro lado, ainda que não venhamos a concordar, é compreensível, pois, na maioria dos casos, o instinto de sobrevivência fala mais alto.
Violência Urbana e Pressão Constante
Ainda como ingrediente desfavorável à saúde mental dos Policiais Militares no Brasil, temos a escalada da violência urbana que aumenta a cada dia com a proliferação das facções, o que acaba gerando uma pressão constante. Segundo informações divulgadas pela Folha do Estado, em um único ano, o Brasil registrou 10% das mortes violentas do mundo todo. Isso é um número alarmante!
Como poderá um profissional de segurança pública sair de casa para exercer seu ofício e deixar sua família em casa, sabendo que ambos estão em um ambiente propício à violência? Não há dúvida de que esse fator, aliado aos demais já mencionados, contribui diretamente ao adoecimento da saúde mental, em especial do Policial Militar.
Políticas Públicas e Deficiências Estruturais
Por outro lado, temos a inexistência de políticas públicas que efetivamente funcionem. Há escassez de profissionais de saúde à disposição dos Policiais Militares, uma administração ineficaz, que não cria mecanismos para proporcionar uma melhor escala de trabalho aos profissionais, como, por exemplo, cumprir o que determina a lei e aumentar o efetivo da corporação, já que a maioria dos estados opera hoje com no máximo 70% do efetivo previsto.
Se o Estado cumprir a lei e colocar no efetivo da Polícia Militar o número previsto, certamente haverá uma escala mais equilibrada para o profissional, melhorando sua qualidade de vida e garantindo à sociedade um policiamento mais produtivo.
Outra medida que poderia trazer reflexos diretos na saúde mental do Policial Militar seria a imediata implantação de Educação Financeira. Essa é uma deficiência do Estado não apenas para com os profissionais de segurança pública, mas também com a sociedade em geral. Embora a educação seja inicialmente obrigação da família, ainda assim está previsto na Constituição Federal que cabe também ao Estado.
Considerações Finais